25.9.09

Festa Abstencionista no Porto


CasaViva - domingo, 27 setembro 15h00 entrada livre

(Praça Marquês de Pombal, 167 - Porto)

No dia a seguir às eleições, o sol vai nascer mais bonito, o céu vai estar mais azul, o teu ordenado vai subir, a tua casa vai ficar mais barata, as árvores vão dar frutos por tempo indeterminado, o desemprego desaparece, o ensino vai-te fazer mais humano, a saúde ficará mais acessível, a justiça mais verdadeira e eficaz, a crise vai ser paga pelos seus causadores e outros detentores de riquezas pornográficas.

E, daqui a quatro anos, vão-te explicar exactamente a mesma coisa, com este ou outro embrulho, dependendo da agência publicitária que tu lhes pagares. E assim sucessivamente até ao fim dos tempos, que eles, ainda por cima, zelam por antecipar. Em alternativa, até que te dês conta que, cada vez que delegas a gestão da tua vida na mão de auto-proclamados especialistas estás a dar-lhes carta branca para que tratem, em primeiro lugar, dos interesses deles.

Se quiseres participar, é contigo. Depois não te queixes, é só o que dizemos. Se não quiseres, podes sempre passar pela CasaViva, onde também há urna de voto, só que com uma entrada maior e sem exigências quanto ao número de vezes que dobras o papel.

15h00 Dj TrashBaile

16h00 Cinema - Wag the dog (97'), de Barry Levinson 1997

18h00 Punk rock

Bernays Propaganda

Eskizofrénicos

Vai-te foder


22h00 Jantar

3.7.09

Sessão publica em Vila do Conde adiada para 19 de Julho

Lamentamos informar que, por razões alheias à nossa vontade, a sessão pública da Plataforma Abstencionista que se ia realizar n'O Pátio em Vila do Conde a 5 de Julho foi adiada para dia 19 do mesmo mês, ou seja, por duas semanas.
Pedimos desculpa por qualquer inconveniente causado por este adiamento e, desde já, agradecemos a vossa compreensão.

26.6.09

Sessão Pública em Vila do Conde


5 de Julho, domingo, às 18 horas
N' O Pátio - Vila do Conde
Praça Varandas do Ave, 106

Da noite para o dia - As imagens






9.6.09

13 de Junho - Sessão Pública no Terra Viva (Porto)

Sábado, dia 13 de Junho, à noite (21.30), Sessão de Informação Pública sobre a Plataforma Abstencionista no Terra Viva.

Terra Viva
Rua dos Caldeireiros, n.º 213
4050-141 PORTO
(à Cordoaria, junto da Torre dos Clérigos)

Da noite para o dia...

Na manhã das eleições, um pedaço de Paranhos (Porto) acordou com algumas paredes redecoradas com a mais recente das artes democráticas, o grafitti. À volta duma das zonas de voto com mais eleitores que país tem, apareceram, assim como que da noite para o dia, frases abstencionistas nas ruas do Lindo Vale, do Cunha, Óscar da Silva, Hernani Torres, Augusto Leça, Álvaro Castelões, Bolama e Visconde Setúbal.

Haverá fotos em breve, se o zelo não for mais rápido do que a oportunidade.

Nesse mesmo dia, da Vitória e da Baixa do Porto chegaram-nos relatos de distribuição de flyers da Plataforma Abstencionista e d@s Desempregad@os e Precári@s Abstencionistas, que reproduzimos abaixo:

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“DEMOCRACIA” NÃO É ISTO! E NEM COMEÇA NEM ACABA NAS URNAS !

Trabalhadores/as, Desempregad@s e Precári@s, Mal-pag@s e tod@s @s “excluíd@s,

Considerando :

1-Que o número de despedimentos e de desempregad@s tem aumentado desmedidamente, constituindo isto um apetecido “maná” de mão-de-obra barata (e massa eleitoral) para grandes EMPRESÁRIOS, GESTORES e POLÍTICOS PROFISSIONAIS;

2-Que por isso aumenta a MISÉRIA, a INCERTEZA, a DESILUSÃO e o CONFORMISMO na grande massa dos mais excluídos – enquanto que, ao mesmo tempo, aumenta também a RIQUEZA, o LUXO, o ESBANJAMENTO e a ARROGÂNCIA nos “do alto” –banqueiros, financeiros, empresários, gestores e políticos profissionais do Estado

3-Que as ELEIÇÕES que se aproximam –europeias, legislativas ou autárquicas- NADA IRÃO MUDAR NESTE CENÁRIO porque, ganhe quem ganhe, TUDO FICARÁ NA MESMA, porque “só mudarão as moscas”-porque “A CRISE” é o próprio CAPITALISMO, sistema actual que se baseia na miséria da maioria para enriquecimento de uma minoria!

4-Que, não havendo neste momento qualquer ameaça séria de um partido autoritário vir a implantar uma DITADURA TERRORISTA, -seja na Europa ou aqui- não é por não votarmos que “estaremos a dar votos à direita” (como dizem alguns) ou a tais projectos – estaremos isso sim é a dizer BASTA DE PRIVILÉGIOS E DE GAMELAS a todos e a qualquer um deles !

5-Que VOTOS é afinal o que todos os políticos querem para poderem viver à custa do povo!...E que portanto, para além do papel e da saliva que gastam com lindas promessas, nenhum deles quer de facto ACABAR COM O CAPITALISMO (PRIVADO OU DE ESTADO!) –que seria o mesmo que acabar com a MISÉRIA, a EXPLORAÇÃO, a PRECARIEDADE e o DESEMPREGO, a DESTRUIÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS DO PLANETA, as DESIGUALDADES SOCIAIS. Alguns deles quererão, quando muito, mudar umas coisitas de pormenor PARA QUE TUDO O RESTO CONTINUE NA MESMA!

Considerando, por último, QUE TODOS E TODAS @S QUE NA HORA PRESENTE NÃO SE ORGANIZEM, NÃO RESISTEM, NÃO LUTEM COM OS SEUS IGUAIS –pelos direitos adquiridos em lutas passadas, pela DIGNIDADE e por MELHORAR A VIDA - E SE PÕEM À PARTE NO SEU CANTINHO - OU SE LIMITAM A ELEGER QUEM PRETENSAMENTE FALE E AJA EM SEU NOME –TÊM O QUE MERECEM!

APELAMOS A TOD@S:

-GREVE DE ELEITORES! ABSTENÇÃO ! NENHUM VOTO PARA NINGUÉM!

TORNEMOS QUALQUER GOVERNO AINDA MAIS MINORITÁRIO!

ORGANIZEMO-NOS NOS MOVIMENTOS POPULARES E CÍVICOS!
(moradores, utentes, trabalhadores, desempregad@s e precári@s, poluíd@s,...)

LUTEMOS CONTRA O CAPITALISMO E O AUTORITARISMO!
ORGANIZEMO-NOS EM ASSEMBLEIAS POPULARES!

Porto,Jun.2009

-DESEMPREGAD@S e PRECÁRI@S ABSTENCIONISTAS

*veja-se o recente gasto de quase um milhão. para o novo parque automóvel de ministros e secretários de Estado "

2.6.09

Domingo não te esqueças...NÃO VOTES!


Com as eleições europeias aí à porta, renovamos o nosso apelo a todos os que não se revêem neste sistema politico e social, para que se abstenham. Acreditamos na capacidade que uma tal posição pode ter, se tomada em consciência e em conjunto, para minar as fundações do sistema opressivo que nos governa. 

17.3.09

P.A. - Apresentação no Gato Vadio - Porto


Sexta-feira, dia 20 de Março, 22h15 Gato Vadio Rua do Rosário 281

“A revolta, sem aspirar a resolver todas as coisas, pode já, pelo menos, opor-se. (…) Os homens da Europa, abandonados às sombras, afastaram-se do ponto fixo e irradiante. Esquecem o presente por amor do futuro; os seres escravizados, pelos fumos do poder, a miséria dos subúrbios, por amor de uma cidade radiosa e a justiça quotidiana por uma vã terra prometida. Perdida a esperança quanto à liberdade das pessoas, sonham com uma estranha liberdade da espécie; recusam a morte solitária e chamam imortalidade a uma prodigiosa agonia colectiva. Já não acreditam puerilmente que amar um só dia da existência equivalia a justificar os séculos de opressão. Essa a razão por que eles quiseram suprimir a alegria do mundo, adiando-a para outros tempos.”

Albert Camus, in O Homem Revoltado

No papel em 2004, Saramago propôs uma alegoria no Ensaio sobre a Lucidez: a população eleitoral decide votar massivamente em branco, provocando o curto-circuito do sistema eleitoral e esvaziando o poder regulador dos partidos políticos na sociedade.

Na realidade em 2009, a Plataforma Abstencionista reivindica o acto da abstenção como uma forma de provocar o tal curto-circuito descrito pelo escritor. Não sabemos se Saramago sairá da pura ficção para, acto contínuo, abandonar o seu papel literário (e o papel do boletim) e apoiar a proposta abstencionista, ou se colocará uma vez mais a sua cruz (parece ser a única cruzfixa de que ainda não fugiu…).

A utopia de Saramago lida ainda com uma improbabilidade, pois os votos em branco nos ciclos eleitorais são sempre residuais. Ao contrário, a abstenção não é um cenário de ficção já que quase sempre ronda, quando não supera, a percentagem de votos alcançada pelo partido a que sai a sorte grande de 4 em 4 anos.

Convidamos os interessados e o eternos desinteressados, os que votam e os que decidem não votar, os que desejam deixar à Literatura a alegoria e às romarias o alegórico, e, principalmente, convidamos aqueles que já desconfiam, por faducho lusitano, de mais uma iniciativa de cariz político a escutar, conhecer e discutir os objectivos da Plataforma Abstencionista.

24.2.09

A Plataforma Abstencionista sai à rua

No Sábado, 28 de Fevereiro, é dia de mostrar solidariedade. Com os putos que a polícia mata por terem a cor e o saldo bancário errados. Contra liberdade de expressão transformada em processo-crime. Com as vítimas pedonais da violência policial. Com os utentes criminalizados por se manifestarem. Contra o julgamento plenário de quem se atreve a protestar lado a lado com as minorias.

Na praça do Marquês, no Porto, se não chover muito, vai haver festa. Quer-se animação e informação: música, conversas, bancas, flyers, faixas, comida, teatradas, palhaçadas, jogos. A Plataforma Abstencionista estará presente, a partir das 11h00, com uma banca, onde se espera ter informação e disponibilidade para satisfazer os curiosos, discutir com os críticos e criar cumplicidades com os apoiantes.

Até lá.

18.2.09

Reunião da Plataforma Abstencionista no Porto

Reduzir a participação eleitoral aos que alimentam e se alimentam do sistema, transformá-los em criadores, actores e espectadores da sua própria encenação poderá ser uma interessante tarefa revolucionária geradora de ataques localizados aos órgãos vitais desta sociedade dominante. Nesta lógica de combate deverá ser claro que uma plataforma de entendimento e acção em defesa da abstenção, que se almeja poder funcionar sem qualquer mecanismo reprodutor dos poderes conhecidos, nunca deverá ser entendida como um fim em si mas antes como um meio para reforçar o ataque sistémico ao capitalismo.

20 Fevereiro (sexta-feira) - 18h30 (mesmo, que há gente que precisa de ir embora cedinho)

CasaViva
Praça Marquês de Pombal, 167
(traz comida - pronta a comer ou aquecer - para partilhar)

Ordem de trabalhos (para já)
- Conferência de imprensa - Data e moldes
- Próximos passos (bancas, animação de discussões, que mais?)
- Decidir cartazes e flyers

5.2.09

Atenção abstencionistas!

Há entre nós pessoas que terão todo o prazer em ir a qualquer lado falar sobre as ideias que presidem à existência da Plataforma Abstencionista, seja em debates, sessões de esclarecimento, ou reuniões que pretendam criar dinâmicas locais.
Se, na tua zona, houver gente interessada, não hesites em contactar-nos para plataformaabstencionista@gmail.com

26.1.09

Reunião Porto - 27 Janeiro

Na próxima terça-feira, 27 de Janeiro, haverá reunião na CasaViva para se conversar sobre:
respostas a emails que chegam e a comentários que são colocados no blog, discussão presencial do texto que o Paulo P. propôs para flyer de distribuição massiva, ideias fundamentais a passar na conferência de imprensa, comunicado de imprensa a informar da conferência, frases para cartazes e flyers, preparação de debates, ...

Se aparecer gente que ainda não apareceu em nenhuma reunião e se se achar que tal é importante, dever-se-ia começar por uma pequena apresentação do que tem sido a plataforma até aqui.

Apareçam por volta das 18.30, ainda ajudam a descascar umas batatas e começa-se a reunião às 19.00. Para quem tiver fome, promete-se uma sopinha, pelo menos aos que ajudarem nas batatas, e umas tostas que são um dos petiscos recorrentes (o que não quer dizer neccessariamente bom) da Casa.

Praça Marquês de Pombal, 167 - Porto

25.1.09

Apelo à criatividade

Apelamos a todos os companheiros para que nos enviem através de email imagens, slogans e textos relativos à abstenção, originais ou não, e que sejam susceptíveis de serem por nós utilizados na luta contra as farsas eleitorais de 2009.
Desde já o nosso muito obrigado.

27.12.08

Reunião Nacional - dia 10 de Janeiro

Gostávamos de convidar toda a gente que subscreve o manifesto, se sente representada pelas ideias nele expressas ou quer ouvir com mais atenção o que esta plataforma propõe, a comparecer pelas 14h00 na Biblioteca dos Operários da Sociedade Geral (BOESG - rua das Janelas Verdes, nº 13 1ºEsq.), em Lisboa, para a primeira reunião nacional da Plataforma Abstencionista em 2009. A ordem de trabalhos provisória é a seguinte:
1- BALANÇO DO CAMINHO PERCORRIDO PELA PLATAFORMA ABSTENCIONISTA: ERROS, VIRTUDES, COISAS A CORRIGIR;

2- "SAIR PARA A RUA": FORMAS E METODOLOGIAS PARA LANÇAR ESTA PROPOSTA PUBLICAMENTE E NO "MOVIMENTO DE MASSAS";

3- ARTICULAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA PLATAFORMA A NÍVEL NACIONAL.

Aproveitamos para acrescentar que, caso pretendam contribuir para a discussão da ordem de trabalhos, o podem fazer enviando um email para a lista da Plataforma Abstencionista (primeiro link na barra à direita).

12.12.08

Pedem-nos o voto, diremos não!

O capitalismo é um sistema sem lei, que alimenta e serve os interesses dos grandes grupos económicos e de todos os que lhe seguem o modelo. Um sistema norteado por valores cujos princípios básicos potenciam o crescimento da injustiça e desigualdade sociais, da alienação e expropriação dos direitos fundamentais dos indivíduos, da exclusão, da exploração desenfreada de pessoas, animais e natureza, do fomento de necessidades de consumo, hábitos e procedimentos desnecessários que causam ciclos de guerra, sofrimento e miséria. As democracias “representativas” inculcam massivamente no imaginário dos cidadãos que os resultados dos actos eleitorais significam procuração irrevogável para o Estado agir, em seu nome, de forma omnipotente e omnipresente.

A democracia resume-se assim a isso mesmo: de tanto em tanto tempo fazer variar nos assentos do Poder aqueles que apenas estão lá não para nos representar como proclamam, mas para fazer cumprir todas as políticas decididas algures nos centros financeiros internacionais. Desta forma, a vontade dos povos e dos indivíduos não tem qualquer poder decisório. No entanto, são chamados sazonalmente ao cumprimento do seu “dever”, a horas e nos lugares certos, sendo-lhes outorgado um falso carácter determinante, vendendo-se assim a ilusão de que mandar representa, apenas, obedecer ao sentimento maioritário.

Para a prossecução deste embuste arenga-se que as eleições projectam um sublime acto de escolha. Com maior ou menor propaganda e manipulação, com mais ou menos promessas demagógicas que não colhem apenas os incautos, o sistema capitalista desce à terra de quatro em quatro anos, submetendo-se estoicamente à prova das feiras, dos comícios em terras inóspitas, dos beijos e abraços à saída das missas. Tem o seu banho democrático, diz-se orgulhoso por isso e afirma-se posteriormente encartado para decidir o que quiser decidir. São, depois, as regras da democracia “representativa” a gerarem a rotatividade na protecção do aparelho de Estado e na defesa das políticas rigidamente definidas que, a nível super-estrutural, o capitalismo impõe para prosperar e garantir a sua ditadura. São as terapias impostas para que o pulmão não se debilite, seja qual for o corpo (partido ou agrupamento político) que lhe dá abrigo.

O sistema capitalista tem sabido lutar bem por este seu paradigma, exigindo a quem dele vive o respeito e aceitação do Estado como entidade reguladora das relações sociais. Os jogos de alianças, a necessidade de apresentar alternativas e soluções como sinal de afirmação construtiva fizeram encostar a "extrema-esquerda" e a "esquerda" à "direita" e parte da "direita" à "esquerda" e ao "centro", juntando-se todos no Parque das Nações a comerem um caldo de maioridade e sensatez. Por isso, nenhuma, mas mesmo nenhuma, força partidária equaciona, hoje, a legitimidade dos cidadãos se sentirem defraudados com o que fazem do seu voto. Outra coisa, aliás, não poderia acontecer: por muito que possa doer a muita gente boa que palmilha caminhos de insubmissão, certo é que a participação nos órgãos de poder institucional significa a aceitação cordata das suas regras de funcionamento e a reverencial simpatia pelo Estado e pelo sistema que o mantém. Há que assumir sem rodeios que nas sociedades modernas a exploração violenta, desumana, arcaica e irracional que o sistema capitalista exerce legalmente vem resultando da "carta branca" fornecida pelos plebiscitos eleitorais. Percebendo a importância que as eleições dão ao sistema capitalista, ao longo das últimas três décadas várias foram as mobilizações em torno da defesa política da abstenção. Não havendo campanhas públicas sistematizadas nem qualquer sector a emergir colectivamente, o poder foi-se aproveitando disso para atribuir os resultados incomodativos à "preguiça", ao "tempo de praia", à "chuva diluviana", à "abstenção técnica", à não "limpeza dos cadernos eleitorais", à "mobilidade dos cidadãos".

Como se "ir à praia" em dia de eleições não devesse ser enquadrado numa atitude política assumida, denunciadora da rejeição do circo da sociedade do espectáculo; como se o "direito ao não voto" fosse menos legítimo que o "direito ao voto". Reduzir a participação eleitoral aos que alimentam e se alimentam do sistema, transformá-los em criadores, actores e espectadores da sua própria encenação poderá ser uma interessante tarefa revolucionária geradora de ataques localizados aos órgãos vitais desta sociedade dominante. Nesta lógica de combate deverá ser claro que uma plataforma de entendimento e acção em defesa da abstenção, que se almeja poder funcionar sem qualquer mecanismo reprodutor dos poderes conhecidos, nunca deverá ser entendida como um fim em si mas antes como um meio para reforçar o ataque sistémico ao capitalismo. Ao longo da história a sociedade humana foi sendo encaminhada para sistemas de funcionamento autocrático e dirigista ao arrepio das normas de relação fraternas, solidárias e horizontais. A introdução das regras mercantilistas, do desempenho individual, da competição e do orgulho na propriedade privada adulteraram a lógica comunal, transformando o ser humano num produto que deve mais do que tem a haver! A desumanização das sociedades dos novos tempos transformou as pessoas em números prontos para o massacre.

Isto não é inevitável! Sabemos de múltiplas lutas de resistência que foram capazes de mostrar que outro mundo é sempre possível ainda que o devir nos tenha acrescentado frustrações. Todos esses processos históricos encontram-se catalogados nos protótipos da utopia, tendo, alguns deles, sido concretizados. Este parece ser o grande combate de quem enjeita o poder institucional e não quer agir sozinho. A luta pela felicidade e pelo mundo harmonioso também passa por aqui sem aqui se esgotar! Liberdade não é poder escolher os tiranos, mas sim não querer nenhum.

Todas as rebeliões começam por uma recusa. Para justificar a tirania, virão pedir-nos o nosso voto.

OLHOS NOS OLHOS, DIR-LHES-EMOS QUE NÃO!


Plataforma Abstencionista
Novembro 2008